
Arnaldo
Giraldo
A inveja
corrompe o
espírito
e canibaliza o
coração.
Consome a mente
em pequenas e frias labaredas.
Como ovos de
certas espécies,
larvas em corpo
alheio,
o mal se impõe.
puro amor
nunca é
acessório,
mas esperança e
doação,
busca de
compromisso, paixão e êxtase,
o bailar eterno
da terra
sendo osculada
pela lua
Eustáquio Braga
Estudo
Línguas e corpos
Em beijos
salivados.
Dama nua que no céu
da boca exala amor.
No interagir diário,
troca de fluídos,
Aprendo-te
Viviane B. Beyruth
Amigos
De alma, paz, amor
Amigos para festas
Amigos de sonhos e poesias
Amigos ocultos
Desconhecidos
Amigos
Tanto faz
Se sozinhos
Vocês estão agora
Suas palavras
encontram-se com as minhas
Em um pequeno
livro
(que como flores)
distribuí...
Palavras
Mais uma vez
Desconhecidas
Tocaram meu coração
Que num gesto furtou-me uma lágrima
Palavras de outros
Tão parecidos
Amigos...
Regina Gouveia
(Portugal)
I
À vela
fiz-me ao largo,
mar adentro de bolina.
Da costa à contracosta naveguei.
Quando tentei ancorar
em
mar de sonhos,
naufraguei.
II
Qual rio
corre o tempo.
Avança a contratempo
como a
luz que se extingue numa fresta.
Depois nada mais resta
senão, lânguido,
o frio.
III
O homem,
face ao cosmos
é apenas fumo, cinza.
É poeira que dura um só instante,
um surdo calafrio,
um grito
mudo,
o nada.
IV
A luz,
salto quântico
é energia emitida
em transições bizarras de electrões.
É volteio de ninfa
em mar de cores,
é vida.
V
A guerra,
mata sem pudor,
ceifa vidas, a eito,
dizima sem critério nem preceito.
Nas garras tudo leva.
Deixa apenas
luto e dor.
VI
A água
cantava na fonte
onde outrora corria.
O cantar, o correr eram seu
mister.
Agora deixou de correr.
Não corre, nem canta
só chora .
VII
Tomás,
na flor da vida
morreu ontem com SIDA.
Entretanto, num casino da Florida,
jogava-se a vida,
já sem vida,
de Tomás.
VIII
O amor
não tem barreiras.
Atravessa fronteiras
numa corrida onde não conta o tempo.
Tentando abraçar a lua
corre montado
no vento.
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